quarta-feira, 27 de julho de 2022

Reflexão #15


"Os brasileiros são muito mais tolerantes com a ignorância do que com a erudição."

Ouvi essa frase de Olavo de Carvalho - que tinha um tino aguçado para identificar situações da realidade e sumarizar em simples explicativas frases -, mas também poderia ter sido dita por qualquer um que se vê na busca do conhecimento ou refinamento, porém a palavra correta é mesmo erudição.
Erudição é o desenvolvimento cognitivo que resulta de um grande número de experiências. É, digamos, uma biblioteca interior adquirida. Este desenvolvimento torna o portador capar de distinguir as mais suaves nuances e categorizá-las. Finalmente, ele torna-se capaz de ordená-las conforme essas categorias, resultando em melhores e piores, complexas e simples, todas com inúmeros níveis intermediários.
Essa capacidade de perceber que a realidade não é tão simples, não é preto no branco, torna-se extremamente incômoda para o interlocutor não capacitado, a ponto de causar desconforto físico. Por isso, quando você se encontra numa dessas situações, uma resposta como "eu não entendo nada disso, pra mim é tudo igual" é muito melhor aceita, na maioria das ocasiões, do que uma frase proveniente da experiência do erudito, como "depende, em certos casos sim, em outros não, este aspecto sim e aquele não, etc.". O exemplo mais banal e fácil de detectar é o "político é tudo ladrão" versus "este político em particular nesta situação específica agiu corretamente". Este último exemplo, interpretado aos olhos daquele, segue o raciocínio lógico: (a) ele gosta deste político neste momento; (b) todos os políticos são ladrões; (c) logo, ele gosta de político ladrão. Há até aquele ditado popular "para quem só pensa com martelo, tudo é prego".
O reducionismo causado pela ausência de erudição não é surpreendente, mas sim esperado. Sem a capacidade de categorizar corretamente a informação, o ser humano faz o possível para adequá-la a sua própria compreensão. Para quem só vê preto e branco, tons de cinza serão ou preto, ou branco.
Se tu enxergas isso como um problema, também deves ter percebido que a única solução é a erudição, experiências variadas que ampliem o horizonte do homem.

 

terça-feira, 12 de julho de 2022

Reação e Duração

Se esse negócio de temperamentos tiver começado a ficar abstrato demais para você, experimente olhar para o esquema simples que preparei, para que você consiga ter uma visão geral da coisa antes de entrarmos mais especificamente em cada um dos quatro temperamentos.


Agora que você já percebeu que os elementos da natureza têm certas características marcantes, vai começar a entender de que forma elas se manifestam em cada um dos temperamentos, e por que são ótimos representantes simbólicos dos coléricos, sanguíneos, fleumáticos e melancólicos.

Identificar um temperamento é uma tarefa aparentemente simples: fazendo duas perguntas básicas já podemos entender o padrão de reações da pessoa e, dessa forma, saber em qual temperamento ela se encaixa. A primeira pergunta diz respeito à velocidade e intensidade com que ela reage na maioria das situações; a segunda está relacionada ao tempo que essa reação dura. Darei alguns exemplos a seguir para você conseguir enxergar essa divisão.

Quando alguém buzina incansavelmente para você no trânsito, sua primeira reação é extravasar algum sentimento, seja falando, gritando ou buzinando de volta, ou você se mantém inicialmente sem reação, analisando aquilo tudo e tentando entender o que houve para que fizessem isso com você?

Na primeira resposta, a reação é rápida e intensa, característica de pessoas mais expansivas. Na segunda resposta, a reação é lenta e fraca, típica de pessoas mais retraídas. Extrapolando essa situação quanto à velocidade e intensidade das reações a outros exemplos do cotidiano, você poderá perceber que existe um padrão nas suas respostas: ou um comportamento que se expande, comum aos sanguíneos e coléricos, ou que se retrai, como nos fleumáticos e nos melancólicos.

Quanto à segunda pergunta, vamos imaginar que alguém do seu convívio o desrespeitou injustamente. A pessoa reconheceu a injustiça e pediu desculpas. Você, mesmo assim, guardará a mágoa por um tempo e a sua relação com essa pessoa ficará um pouco estremecida, ou, após uma conversa esclarecedora, você relaxa e logo depois já estão rindo juntos da situação?

Na primeira resposta, a reação diante do acontecido tem longa duração, característica de coléricos e melancólicos. Na segunda resposta, sua reação não finca raízes profundas e vai passando naturalmente, perfil comum de sanguíneos e fleumáticos. Da mesma forma que fizemos com a velocidade e intensidade das reações, se você conseguir identificar outras situações para avaliar a duração das suas reações, também vai perceber que existe um padrão.


Temperamento Bem Nutrido. Os 4 Temperamentos na Alimentação dos Filhos – Carolina Barros