No mundo em que vivemos, é incrivelmente difícil manter foco. Tudo e todos estão competindo pela atenção. E não estou falando apenas de nossa família, amigos ou colegas. Também estou falando de empresas, youtubers e influenciadores. Hoje, mais do que nunca, a capacidade de chamar a atenção das pessoas é uma das maiores fontes de renda de muitas empresas. O seu foco vale muito dinheiro, e é por isso que o YouTube, Facebook e o Instagram fazem de tudo para mantê-lo com os olhos grudados na tela.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Atenção e Escolha
No mundo em que vivemos, é incrivelmente difícil manter foco. Tudo e todos estão competindo pela atenção. E não estou falando apenas de nossa família, amigos ou colegas. Também estou falando de empresas, youtubers e influenciadores. Hoje, mais do que nunca, a capacidade de chamar a atenção das pessoas é uma das maiores fontes de renda de muitas empresas. O seu foco vale muito dinheiro, e é por isso que o YouTube, Facebook e o Instagram fazem de tudo para mantê-lo com os olhos grudados na tela.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Amor e Silêncio
¹ MAETERLINCK, M. "Emerson". In: Le Trésor des humbles. Op. cit., p. 80.
² Jean Paul, Apud MAETERLINCK, M. "La Vie profunde". In; Le Trésor des humbles. Op. cit., p. 146.
sexta-feira, 21 de novembro de 2025
Vaidade e Preguiça
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
Aflição e Preocupação
A aflição se dá quando, pensando nas boas obras, somos consumidos por uma impaciência de realizar coisas que nos são impossíveis. E a preocupação, quando ficamos inquietos pela impaciência de realizar coisas possíveis. Então, para que a alma não fique amargurada, sustente pacientemente as suas impossibilidades; e, para que não se preocupe de um modo prejudicial, não estenda suas possibilidades além da sua medida.
terça-feira, 18 de novembro de 2025
Esforço e Orgulho
Certamente há alguns bens nos quais há muito para se mover e pouco para se promover. Outros, com pequeno trabalho alcançam um grande fruto. Sendo assim, estes que rendem mais devem ser discernidos e escolhidos com prioridade. Pois que, sem dúvida, os que rendem mais os melhores, convém julgar toda ação segundo o seu fruto.
Muitos, não possuindo esse discernimento, trabalharam muito e progrediram pouco, já que dirigiram seu olhar apenas exteriormente à aparência da obra, e não internamente ao fruto da virtude. Orgulham-se por fazerem grandes coisas mais do que por realizarem o que é útil, e amaram mais aquelas obras em que podiam ser vistos o que aquelas em que podiam se emendar.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Meditação e Realização
A meditação é o pensamento frequente com deliberação, que investiga prudentemente a causa e a origem, o modo e a utilidade de cada coisa. A meditação tem o seu princípio na leitura, entretanto não se realiza por nenhuma regra ou preceito da leitura. Na meditação, de fato, agrada-nos discorrer por uma espécie de espaço aberto, no qual direcionamos nosso olhar para a verdade a ser contemplada, considerando ora uma, ora outra das causas das coisas; às vezes também penetrando no que nelas ha de mais profundo, não deixando nada de duvidoso ou obscuro.
O princípio do conhecimento, portanto, está na leitura e sua consumação na meditação. Quem aprender a amá-la intimamente e se dedicar a ela com frequência, tornará sua vida imensamente gozosa e terá na tribulação a máxima consolação. A meditação é, entre todas as coisas, a que mais afasta a alma da barulheira das ações mundanas; e pela doçura da sua quietude oferece já nesta vida um antegosto da vida eterna. Ela nos faz buscar e conhecer o Criador por meio das suas criaturas, e dessa forma ensina a alma pela ciência e a aprofunda na felicidade, donde que na meditação se realize a maior das alegrias.
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
História e Alegoria
Não tenho a intenção de te saturar, passando por todos os trechos; mas, se não conheceres primeiro a natividade de Cristo, sua pregação, paixão, ressurreição, ascensão e tudo o que suportou na carne e pela carne, não conseguirás penetrar os mistérios das figuras do Velho Testamento.
¹ Ap 5,5.
** Dn 7,13-14.
**¹ Is 7, 14.
**² Mq 5, 1.
**³ Jo 1, 1.
*** Mq 5, 1.
***¹ Jo 1, 14.
***² Is 7 14.
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Ascender e Descender
¹ Sl 19, 12.
² Js 1,18.
³ Sl 34, 9.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Escritura e Significado
Também é necessário saber que, no discurso divino, não só as palavras, mas também as coisas têm significados, de um modo que não se costuma encontrar com freqüência em outros escritos.¹ O filósofo conhece somente o significado da palavra, mas o significado das coisas é muito mais superior do que o das palavras, pois o significado destas foi instituído pelo uso, enquanto o daquelas foi fornecido pela natureza. O significado das palavras é voz do homem, o das coisas é a voz de Deus aos homens.² As palavras, depois de pronunciadas, perecem; as coisas, depois de criadas, subsistem. A voz, frágil, é a expressão dos sentidos; a coisa é imagem da razão divina. Portanto, o que o som emitido pela boca, som que cessa ao mesmo tempo em que se expressa, é para a idéia mental, toda duração temporal é para a eternidade. A idéia mental é o verbo interior que se expressa pelo som da voz, isto é, o verbo exterior. E assim, a divina Sabedoria, que o Pai fez brotar de seu coração e que em si mesma é invisível, pelas criaturas e nas criaturas é que se dá a conhecer.³
¹ Hugo de São Vitor, comentando o trecho (Hb 4, 12) em que São Paulo faz a distinção entre a palavra de Deus e a dos homens, escreve: "'A palavra de Deus é viva', porque não muda Eficaz, porque não falha. Penetrante, porque não se engana. Não muda no que promete, não falha no que realiza, não se engana no julgamento" (A Palavra de Deus, disponível em cristianismo.org.br/h-verb.htm).
³ "O Verbo de bondade e a vida de sabedoria que fez o mundo se manifesta na contemplação da criação. O Verbo em si mesmo era invisível, mas se fez visível, e foi visto pelas suas obras. [...] O mundo é, de fato, um livro escrito pelo próprio dedo de Deus. Cada criatura é como um sinal, não por convenção humana, mas estabelecido pela vontade divina. O homem ignorante vê um livro aberto, percebe certos sinais, mas não conhece nem as letras nem o pensamento que elas manifestam. Assim também o insensato, o homem animal que não percebe as coisas de Deus, vê a forma exterior das criaturas visíveis, mas não compreende os pensamentos que elas manifestam. Assim como em uma única e mesma obra um homem admira a cor e a forma das letras, enquanto outro louva os pensamentos que elas expressam. É bom, portanto, contemplar assiduamente e admirar as obras de Deus, mas para aquele que souber converter a beleza das coisas corporais em uso espiritual" (Hugo de São Vítor, Tratado dos três dias, disponível em cristianismo.org.br/pfp05-b.htm)
terça-feira, 21 de outubro de 2025
Reflexão #22
Spes est dum anima est
A esperança existe enquanto existe vida (alma)
Dum spiro, spero
Enquanto respiro, tenho esperança
No contexto pagão, donde suponho que surgiu, este ditado lembra-nos que mesmo no cenário pessimista o improvável pode acontecer e resultar no melhor. Não é o provável, mas se acontecer não podemos nos arrepender de não ter tentado. E se não acontecer, o que perdemos?
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
Reflexão #21
O homem é uma máquina que transforma futuro possível em passado realizado
terça-feira, 30 de setembro de 2025
Sofrimento e Ensinamento
O pastor e o mar
O pastor, ao pastorear seu rebanhozinho num local litorâneo, vendo o mar calmo teve desejo de navegar para fazer comércio. Depois então de vender suas ovelhas e comprar tâmaras, zarpou. Mas, ao sobrevir uma forte tempestade, e com a nau correndo o risco de afundar, jogou toda a carga ao mar e a custo se safou com a nau vazia. Depois de não poucos dias, passando por ali um sujeito que se espantava com a tranquilidade do mar (pois este por acaso estava calmo), o outro, tomando a palavra, lhe disse: "Meu bom amigo, ao que parece ele tem de novo desejo de tâmaras, e por isso se mostra sossegado".
A história mostra que para os seres humanos os sofrimentos são ensinamentos.¹
¹ Há um jogo no original, porque os termos "sofrimentos" (pathémata) e "'ensinamentos" (mathémata) diferenciam-se só pela letra inicial. A ideia de que "a experiência ensina" era popular entre os gregos e aparece em outra máxima famosa, páthei máthos, "pelo sofrimento o ensinamento, presente na tragédia Agamêmnon de Ésquilo (século V a.C.).
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
Acordo e Segurança
Os lobos despacharam embaixadores até as ovelhas para estabelecer com elas uma paz duradoura, com a condição de que pegassem os cães e os destruíssem. E as estúpidas ovelhas concordaram em fazer isso. Mas um velho carneiro disse: "Como vou confiar e conviver com vocês, quando - mesmo com os cães me guardando - não me é possível pastar sem perigo?".
Porque ninguém deve se despir da sua segurança, persuadido por juras de inimigos com os quais não há conciliação possível.
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
Morte e Meditação
A união na recordação
O poeta amigo de Rodin, Rilke, escreveu: "Talvez os mortos sejam aqueles que se puseram à parte para meditar sobre a vida". Eles meditam, com efeito, mas vivendo, e com eles podemos meditar para bem viver, e juntos. Estando divididos, a comunidade de culto em relação aos mortos nos aproxima, e isto mesmo se esses ausentes tenham sido outrora aliados imperfeitos, e até criadores de problemas.De qualquer maneira, nossos mortos são a reserva moral da família. Têm meios para intervir nos momentos difíceis da vida e dos relacionamentos. Um grande poder de pacificação emana deles: são, para nós, um viático. Quando sofremos ou estamos extenuados, essa grande serenidade nos sustenta, como a doçura dos astros numa marcha noturna.
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
Cientificismo e Alma
A sessão de anatomia desenrola-se numa arquitetura teatral circular inspirada no modelo vitruviano [de Vitruvius, o grande arquiteto]. Essa associação da ciência e do teatro, na aurora da modernidade, é carregada de significação. A anatomia tem valor de modelo para a ciência experimental nascente assim como o teatro tem, ao mesmo tempo, para as artes do visível. A aula de anatomia é aquele espetáculo científico no qual a máquina do corpo é pacientemente desmontada peça por peça. Nas gravuras do anfiteatro de Leiden, o espectador é atingido em primeiro lugar por aqueles esqueletos de homens e de animais.
Há uma mesa no centro, onde se opera a dissecção do cadáver, em volta da qual fica a platéia e, em cima, a galeria de esqueletos de homens e animais, cada um com uma bandeirinha que lembra o tema da precariedade da vida: Vita brevis, "a vida é breve"; Pulvis et umbra sumus, "somos pó e sombra".
Estamos realmente na presença de um teatro da vaidade, um teatro da morte. É bem a ciência moderna que aí se afirma. O esqueleto, e mais genericamente o cadáver, permanecem ainda um símbolo; mas ele é já, antes de tudo, um objeto de estudo, de análise e classificação. A ciência não objetiva assim o corpo humano senão fazendo abstração do seu estatuto simbólico.
... que é o mesmo que dizer: a ciência destrói o sentido simbólico do corpo humano na medida em que o reduz a um aglomerado de pedaços que se colam uns aos outros mecanicamente. E depois, para tentar recuperar essa unidade - que só pode ser captada pela experiência do fluxo interior e da percepção real -, terá de inventar teorias como fluxo vital", "energia vital", "vitalismo" etc.
terça-feira, 9 de setembro de 2025
Maturidade e Responsabilidade
Nós que, nesta segunda década do novo século, estamos já na vanguarda das demandas de trabalho: presentemente nos compete educar os pequenos e amparar os idosos, gerar renda para nossas famílias, prestar serviços à sociedade e abastecê-la com bens materiais e intelectuais.
Nós que, curiosamente, no entanto, comandamos hoje uma sociedade em que se proliferam, de maneira quase simétrica, dois tipos de empreendimentos: o pet shop e a "casa de repouso" para idosos - empresas que lotam as avenidas de todas as nossas cidades, grandes e pequenas, e que de quadra em quadra nos oferecem seus slogans sob os quais são feitas sempre as mesmas ofertas: "Deixe conosco esse outro que te atrapalha. Não se preocupe tanto. Vá viver sua vida sem aborrecimentos nem incômodos. Compre aqui todos os apetrechos necessários para que você possa vivenciar, através de um animal de estimação, um simulacro do afeto humano".
Incapazes de cuidar, porque mortalmente apavorados diante da ideia de amar - já que o amor é exigente, trabalhoso, dolorido, afeito a sacrifícios... -, estamos hoje na vanguarda da vida adulta e nos rebelamos. Não queremos filhos; achamos desumano ter de trabalhar tanto por um não eu, um estranho, um outro... Filhos - trabalho e desperdício! Temos nossos próprios anelos mais profundos. Não raro nossos pais seguem pagando nossas contas.
Imaturos, egoístas, materialistas e frágeis. Todos temos esse espantalho de adultinho moderno dentro de nós - e urge combatê-lo.
Fantasmas e afetos: o problema da educação infantil - Lorena Miranda Cutlak
A Formação do Imaginário
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
Memória e Imaginário
A consequência disso é mais nefasta do que parece. Dissociada da instrução e formação, essa experiência amorosa deixa de ser cultivada com esse propósito, prestando-se apenas como entretenimento, ao lazer das horas de descanso e ócio, tornando a vivência da cultura em geral - seja alta ou baixa, atual ou antiga - mero diletantismo, mais um hobby do que outra coisa.
O resultado é a inanidade geral dos imaginários pessoais das últimas gerações, transparente, por exemplo, nos inúmeros memes nostálgicos das redes sociais sobre as infâncias e adolescências das últimas décadas, especialmente dos anos 1980 em diante. Que revelam do que mais se guardou no coração? Brinquedos da época, programas de televisão encerrados, hits radiofônicos descartáveis, modas passageiras etc. Apenas coisas a marcarem certos momentos ou períodos da vida, formando memórias afetivas, não por valerem grande coisa em si. Daí ao fenômeno da adolescência esticada, aliás, no vai nenhuma distância.
Ver palestra a respeito do tema no II Congresso de Artes Liberais:
https://youtu.be/tmEwFCx2Zco?si=vjmvsew9rlMr4M6
A formação do imaginário através da educação da imaginação - Francisco Escorsim
sexta-feira, 29 de agosto de 2025
Tentação e Devoção
Quero dizer-te, a fim de que, se te achares algum dia em provas tão penosas, te consoles com o desígnio que Deus tem em vista e, portanto, humilde em sua presença, nunca te creias em segurança contra as pequenas tentações, depois de ter superado muito maiores, para que sejas sempre fiel à sua graça e, se te sobrevier alguma tentação e sentires algum prazer nela, não te perturbes absolutamente enquanto a tua vontade recusar o seu consentimento a uma coisa e outra, porque de modo algum ofendeste a Deus.
Quando um homem cai sem sentidos e não dá nenhum sinal de vida, põe-se-lhe a mão sobre o coração e, se algum movimento se sente, por mais insignificante que seja, conclui-se daí que ainda está vivo e que se pode com algum remédio forte e eficaz restituir-lhe as forças.
Julguemos também assim da alma na violência das tentações que parecem às vezes consumir todas as suas forças. Examinemos se o coração e a vontade têm ainda algum movimento de vida espiritual, isto é, se a vontade recusa o seu consentimento à tentação e ao deleite; porque, enquanto notamos este movimento em nossa vontade, podemos estar certos de que a vida da caridade não está extinta e que Jesus Cristo, embora oculto, está presente em nossa alma; de modo que, pelo exercício contínuo da oração e recepção dos sacramentos e pela confiança em Deus, podemos recuperar todas as forças perdidas e viver para sempre em Deus, numa vida doce e perfeita.
Filoteia - São Francisco de Sales
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
Confissão e Devoção
Libertar-se do pecado deve ser o primeiro cuidado de quem quer purificar o coração e o meio de fazê-lo se depara no Sacramento da Penitência. Procura o confessor mais digno que possas achar; toma um desses livrinhos próprios para ajudar a consciência no exame que se deve efetuar sobre a vida passada, como os de Granada, Bruno, Árias, Auger; lê-os com atenção, notando, ponto por ponto, tudo em que ofendeste a Deus desde o uso da razão e, se não confias em tua memória, assenta por escrito o que notaste. Depois do exame, detesta e abomina os pecados cometidos, pela contrição mais viva e perfeita que podes suscitar em ti, considerando estes motivos valiosíssimos: que pelo pecado perdeste a graça de Deus, abandonaste os teus direitos sobre o céu, mereceste as penas eternas do inferno e renunciaste a todo o amor de Deus.
Já vês, Filoteia, que te estou falando da confissão geral de toda a vida; mas digo francamente, ao mesmo tempo, que não a julgo sempre de uma necessidade absoluta; contudo, considerando a sua utilidade e proveito para o começo, aconselho-ta encarecidamente. Acontece não raras vezes que as confissões ordinárias de pessoas que levam uma vida negligente e comum são defeituosas e malfeitas; não se preparam nada ou quase nada; não têm a contrição devida; confessam-se com uma vontade secreta de continuar a pecar, ou porque não querem evitar as ocasiões do pecado ou porque não querem envidar todos os meios necessários para a emendação da vida; e nesses casos uma confissão geral torna-se necessária para assegurar a salvação. Além disso, a confissão geral nos dá um conhecimento mais perfeito de nós mesmos; nos enche duma salutar confusão em vista de nossos pecados; livra o espirito de muitas inquietações; tranquiliza a consciência, excita-nos a bons propósitos; faz-nos admirar a misericórdia de Deus, que nos tem esperado com tanta paciência e longanimidade; abre o fundo de nossa alma aos olhos do nosso pai espiritual, de sorte que este nos possa dar avisos mais salutares; facilita-nos a confessar futuramente os pecados com mais confiança.
Tratando-se, pois, Filoteia, de uma renovação completa de tua vida e de uma conversão perfeita de tua alma a Deus, não é sem razão, a meu ver, que te aconselho fazeres uma confissão geral.
Filoteia - São Francisco de Sales
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
Exercício: descrições com plano de composição (biblioteca)
Descrição de coisas sem movimento
terça-feira, 12 de agosto de 2025
Exercício: descrições com plano de composição (sala de jantar)
terça-feira, 22 de julho de 2025
Correção e Adulação
Por isso aconselhamos tanto no como seguimos agora aconselhando que se extirpe o amor-próprio e a presunção, precursora de toda adulação: pois é ela que, adulando-nos por dentro, nos amolece e entrega mais propícios aos aduladores externos. Se, porém, confiantes em Apolo e na utilidade que seu preceito, "Conhece-te a ti mesmo", tem para todas as coisas, examinarmos quantas deficiências e quanta abjeção misturada com temeridade derivam da nossa natureza, criação e educação, e respingam em nossas ações, palavras e paixões, já não permitiremos tão facilmente que os aduladores nos calquem a seus pés. Alexandre dizia que por causa do sono e do acasalamento não acreditava nos que o chamavam de deus, pois em ambos sentia seu espírito degenerar e fazer-se menos senhor de si. Já nós, que olhando para dentro vemos em todo canto tanta torpeza, tanta aflição, tanta imperfeição e erro, descobrimo-nos necessitados não de um amigo que nos louve e elogie, mas que nos submeta a exame, que nos fale com franqueza, que nos repreenda e até, por Zeus!, que nos trate mal. São poucos dentre muitos os que ousam falar aos amigos mais com franqueza do que para o agrado; e mesmo dentre esses poucos não acharás facilmente quem saiba fazê-lo de verdade, pois a maioria crê que basta insultar e repreender para usar bem a franqueza. Além disso, como qualquer outro remédio, assim também a franqueza empregada em má hora cria mágoas e perturbações inúteis, fazendo com a dor o mesmo que a adulação faz com o prazer. Recebem dano não apenas os que são elogiados importunamente, mas também os que são repreendidos. E o que mais fragiliza dos aduladores é quando resvalam como a água das mais árduas alturas até o mais acolhedor e macio dos vales. Por isso é necessário temperar a franqueza com a cortesia, usando de moderação para abrandar o excesso e destempero assim como se faz com a luz, a fim de evitar que os amigos, perturbados e aflitos por serem repreendidos por tudo o que fazem, se refugiem à sombra do adulador e busquem um lugar livre de desgosto. Pois todo vício, ó Filopapo, deve ser evitado por meio da virtude, não pelo vicio contrário¹, como pensam alguns, prescrevendo como cura do acanhamento o despudor, ou como remédio da rusticidade a bufonaria, e que o modo de pôr-se o mais longe o possível da covardia e da frouxidão é aproximar-se da audácia e do atrevimento. Alguns, para reprimir a superstição, recomendam o ateísmo, e contra a simploriedade dão como solução a velhacaria, forçando para o lado contrário os costumes tortos como se faz com a madeira, ignorantes que são do verdadeiro modo de corrigi-los. No entanto, não há defesa mais torpe contra a suspeita de adulação do que magoar os amigos inutilmente, e é sinal de rudeza de espírito e inaptidão no trato com os outros usar da rabugice e do mau humor para evitar na amizade a baixeza e mesquinharia, como o liberto da comédia, que crê que a incriminação desenfreada dos outros faz parte da liberdade de expressão a que tem direito. Porém, assim como é torpe resvalar na adulação fazendo tudo pelo agrado de alguém, também é torpe evitar a adulação arruinando a amizade e negligenciando os cuidados próprios dela com uma franqueza imoderada; cumpre não descair para nenhum dos lados, mas, como em todo o mais, também na franqueza extrair da mediania o belo e o bom. Pois bem, aqui parece que o desenvolvimento mesmo da questão exige que coroemos o livro com este assunto.
sexta-feira, 18 de julho de 2025
Amizade e Adulação
Então vejamos a coisa do início. Dissemos que a amizade nasce, para a maior parte dos homens, da afeição pelos mesmos modos e maneiras, da alegria pelas mesmas práticas, pelos mesmos feitos e pelas mesmas ocupações, e da afinidade de talante e natureza: e é neste sentido que foi dito:
as crianças ouvindo outras crianças,
nem nada dá mais gosto ao mulherio
do que com outras mulheres conversar.
É música aos ouvidos do doente a voz de outro doente,
e ao desgraçado a fala dos colegas na desgraça.
Vendo como da semelhança nos gostos e afeições surge naturalmente a familiaridade e o amor, o adulador usa-se desse método antes de qualquer outro para insinuar-se na confiança dos homens e capturá-la, como alguém que, imitando, numa pastagem, as práticas, os interesses, os desejos e o modo de viver de um animal, vai pé ante pé se achegando e acostando ao bicho até que ele dê a oportunidade e se ofereça manso e habituado ao toque humano. Assim, de um lado, o adulador reprova as práticas, as vidas e os homens que perceba desagradar o adulado; de outro, elogia tudo o que lhe agrade, não de maneira razoável e comedida, mas enaltecendo com aparente assombro e admiração, e ainda por cima assegurando que todos seus gostos e aversões nascem mais do juízo que das paixões.
quinta-feira, 17 de julho de 2025
Reflexão #20
sexta-feira, 11 de julho de 2025
Inimigo e Proveito
Se, porém,
como diz Simônides, e também todo homem por natureza traz no peito a contenção, a emulação e a inveja,
como fala Píndaro, tiraria um proveito nada modesto quem, tomando os inimigos, por assim dizer, como esgoto, despejasse neles todas essas más inclinações,¹ de modo a purgar-se delas e desviá-las do caminho dos companheiros e familiares.² E isto, ao que parece, é o que compreendeu aquele político de nome Demos, quando, encontrando-se do lado vencedor de uma insurreição em Quios, aconselhou seus correligionários que não banissem todos os integrantes da facção rival, mas deixassem alguns, "de modo", explicou ele, "que não passemos a nos voltar contra os amigos uma vez livres de todos os inimigos". Deste modo, essas nossas inclinações, despendidas por inteiro contra os nossos inimigos, incomodarão menos os nossos amigos. Não convém, afinal, que "o oleiro inveje o oleiro ou que o "o bardo do bardo tenha inveja", como canta Hesíodo, nem que haja emulação de espécie alguma com o vizinho, o primo ou o irmão que tenha "avançado depressa na riqueza" e chegado à prosperidade. E se não há outro expediente contra a rivalidade, a inveja e a contenção, acostuma-te a sentir o aguilhão toda vez que souberes da felicidade dos teus inimigos, e toma isto como estímulo para apontar e aguçar o teu espirito contencioso. Assim como os jardineiros habilidosos sabem que faz bem às rosas e violetas plantar à volta delas alho e cebola (já que sugam das flores tudo o que contenham de acre e fétido), do mesmo modo o inimigo, atraindo e absorvendo toda a tua malevolência e calúnia, devolve-te mais benévolo aos amigos prósperos. Por isso, na hora de disputar com os inimigos pela glória, pela autoridade ou pelo ganho justo, não apenas sintamos o aguilhão caso levem vantagem sobre nós em alguma coisa, como também observemos todos os meios pelos quais alcançaram essa vantagem, e tentemos superá-los no esmero, no esforço, na temperança e no exame de si mesmos. Nesse sentido dizia Temístocles que a vitória de Milcíades em Maratona não o deixava dormir. Quem, afinal, se crê superado pela fortuna do inimigo quer nos cargos de poder, quer na defesa de seus clientes, quer na gestão do Estado ou na relação com os amigos e superiores, caso se rebaixe, da ação e da emulação, à calúnia e ao acabrunhamento, toda essa inveja que o estimula a combater tornar-se-á inútil e ineficiente. Já aquele que não está cego para o que odeia, mas enxerga como um observador justo e imparcial a vida, os costumes, os ditos e as obras do outro, perceberá que a maior parte do que emula nos inimigos foi conquistado por meio diligência, da prudência e da honestidade na conduta; e, querendo chegar aos mesmos bens, cultivará, por um lado, o amor à honra e à beleza, e amputará, por outro, a preguiça e o desleixo.
quarta-feira, 9 de julho de 2025
Julgamento e Autoconhecimento
Acrescenta a isto o dito mui filosófico e civil de Diógenes: "'Como hei de castigar meu inimigo? Tornando-me eu mesmo belo e bom".¹ Afligem-se os homens reparando como são celebrados os cavalos dos inimigos e elogiados os seus cães; murmuram, quer vejam seus campos bem lavrados, quer avistem seus jardins em plena flor. O que pensas, portanto, que lhes há de acometer se te mostrares um homem justo, sensato, prestativo, honrado nas palavras, puro nas ações, temperante na conduta,
"Os derrotados", diz Píndaro, "levam a lingua agrilhoada num silêncio sepulcral". Essas palavras não são verdadeiras em qualquer caso nem se aplicam a todos os homens, mas apenas aos que se vêem derrotados pela diligência, pela retidão, pela magnanimidade, pela benevolência e pela bondade dos inimigos; são estas as coisas que, como diz Demóstenes, "embaraçam a lingua, tapam a boca, comprimem-na e fazem calar".
Se queres atormentar quem te odeia, não o xingues de pederasta, de efeminado, de licencioso, de ladrão de oferendas ou de sovina: antes sê tu mesmo viril, casto, verdadeiro, benigno e justo com os que cruzarem teu caminho. Se chegares, todavia, a insultar alguém, cuida que estejas o mais afastado o possível dos insultos que lhe atiras. Mergulha na tua alma e sonda o que ainda tens de podre nela, para que não aconteça daí que algum vicio te entoe de dentro aquele canto do poeta trágico:
¹ Cf. Moralia, 21E.
quarta-feira, 11 de junho de 2025
Reflexão #19
O Senhor se queixa dos ricos porque encontram, na profusão dos bens seu consolo (Lc 6,24). "O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito busca o reino dos céus". O abandono nas mãos da providência do Pai do céu liberta da preocupação do amanhã. A confiança em Deus predispõe para a bem-aventurança dos pobres. Eles verão a Deus.
Surgiu-me o pensamento de como a bebida - ou outra droga, doce, cigarro, etc. - toma o papel de bem material que serve de consolo para o homem em sua dificuldade. É especialmente difícil para o humano suportar a dificuldade sem consolo. Diria até que humanamente impossível. Entretanto, não é impossível para Deus, e é por isso mesmo que deve-se pedir a Ele a força para atravessar esses vales de sofrimento.
Pecado e Perdão
terça-feira, 10 de junho de 2025
Ofício e Caráter
— O primeiro homem que me passou pela cabeça - replicou o Padre Brown. - Isto na medida em que tinha eu o direito de pensar em quem fosse. Meu amigo, não há tipos ou ofícios sociais bons ou maus. Qualquer homem pode ser um assassino como o pobre-diabo do John; qualquer homem, e aliás o mesmo homem, pode ser um santo como o pobre Michael. Mas se há um tipo de homem que tende aqui e ali a ser mais ímpio do que os outros, é esta espécie um tanto brutal do homem de negócios. Não tem qualquer ideal social, quem dirá religião; não tem nem as tradições do cavalheiro, nem a lealdade de classe do sindicalista. Sempre que se vangloria por ter conseguido uma boa barganha, está se vangloriando por ter malogrado alguém. Suas chacotas as tentativas de espiritualidade da sua irmã eram detestáveis. O misticismo da senhora era uma besteira; ele odiava o seu espiritualismo apenas porque calhava de ser espiritualidade. Seja como for, não resta dúvida de que ele é o vilão deste caso; o único interesse que resta é ter sido um caso originalíssimo de vilania. Fora realmente um motivo novo e único para um assassinato. Era o motivo de usar o defunto como um aparato teatral - algo como uma boneca ou manequim odioso. No início, pensara num plano para matar Michael no carro, apenas para levá-lo para casa e fingir tê-lo matado no jardim. Contudo, toda sorte de toques finais os mais fantásticos seguiram-se naturalmente ao fato primário; que tinha ele à mão, de madrugada e num carro fechado, o cadáver de um ladrão famoso e reconhecível. Podia deixar suas digitais e pegadas; podia apertar-lhe a cara familiar contra janelas e levá-la embora. Repare como Moonshine ostensivamente apareceu e sumiu enquanto Bankes estava ostensivamente fora da sala, em busca do colar de esmeraldas.
quinta-feira, 5 de junho de 2025
Produtividade e Ansiedade
As pessoas acabam por se tornar vítimas de si mesmas através de uma dinâmica tóxica de autocobrança e dependência do "sucesso".
Seguindo um raciocínio parecido no estudo intitulado "Como superar la ansiedade", Enrique Rojas traz o conceito de "sociedade da ansiedade". Na descrição que faz do fenômeno, ele elenca aspectos da nossa cultura, como o materialismo, o hedonismo, a permissividade, relativismo e o consumismo, como fatores que "vão marcando a rota da ansiedade". O mais interessante é que Rojas "não escreve como filósofo, historiador o antropólogo, e muito menos como moralista, mas como psiquiatra experimental, a partir dos casos concretos trazidos ao seu consultório".
terça-feira, 3 de junho de 2025
Oração e Contemplação
sexta-feira, 30 de maio de 2025
Pobreza e Espírito
"O Verbo chama de "pobreza em espírito" a humildade voluntária de um espírito humano e sua renúncia; o Apóstolo acrescenta, como exemplo, a pobreza de Deus quando diz: "de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós" (2Cor 8,9).
O Senhor se queixa dos ricos porque encontram, na profusão dos bens seu consolo (Lc 6,24). "O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito busca o reino dos céus". O abandono nas mãos da providência do Pai do céu liberta da preocupação do amanhã. A confiança em Deus predispõe para a bem-aventurança dos pobres. Eles verão a Deus.
Catecismo da Igreja Católica 2544-2547
quinta-feira, 29 de maio de 2025
Esperança e Confiança
terça-feira, 27 de maio de 2025
Leitura e Escritura
Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos."Littera gesta docei, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo tendas anagogia". "A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar".
"Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas. – Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja católica".
terça-feira, 18 de março de 2025
Exercício: descrições com plano de composição (sala de visitas)
6) Descreva uma sala de visitas, de acordo com o seguinte plano:
a. A sala: forma, luz, aspecto, paredes, janelas, portas, cortinas, tapete, lareira
b. A mobília: mesa moderna, cadeiras, poltronas, sofá etc.
c. Ornatos: quadros, estatuetas, jarrões etc.
Flor do Lácio: Explicação de textos e guia de composição literária - Cleófano Lopes de Oliveira
6.a. A sala: forma, luz, aspecto, paredes, janelas, portas, cortinas, tapete, lareira









