Vemos, então, que se não levarmos essas dimensões, e tantas outras, de modo unitário e integrado teremos uma fragmentação de nossa própria vida, o que prejudicará a educação do caráter e até mesmo aspectos práticos da vida, assim como o crescimento espiritual – que é o verdadeiro fim da educação religiosa, ao invés da mera memorização de assuntos dogmáticos e teológicos. Sem a busca pela unidade de vida, a vida do homem pode se tornar fragmentada e desintegrada, com uma separação entre suas dimensões espiritual, intelectual, profissional, familiar e social. Essa fragmentação pode levar o homem a uma sensação de falta de sentido e propósito, além de gerar conflitos internos e externos.
Por outro lado, quando o homem busca integrar todas as dimensões de sua vida em sua busca pela santidade e realização de sua vocação, ele encontra uma maior coerência e harmonia em sua existência, além de uma maior realização e sentido em suas atividades cotidianas. A unidade de vida não significa que o homem deve abandonar suas atividades cotidianas para se dedicar exclusivamente à vida espiritual, mas sim que ele deve integrar a busca pela santidade em todas as suas atividades e relacionamentos, vivendo sua vocação de maneira plena e significativa.
A fragmentação pode levar a uma condição psicológica conhecida como neurose. A neurose é uma condição psicológica caracterizada por sentimentos de ansiedade, angústia, depressão, insegurança e insatisfação, entre outros sintomas.
A fragmentação da vida, com a separação entre as dimensões espiritual, intelectual, profissional, familiar e social, pode ser um desses fatores, já que pode gerar conflitos internos e externos, além de uma sensação de falta de coerência e propósito na vida do indivíduo.
Por isso, é importante buscar a unidade de vida, integrando todas as dimensões da vida em sua busca pela realização e santidade. Dessa forma, é possível encontrar uma maior harmonia e sentido na vida, evitando a fragmentação e seus possíveis efeitos psicológicos negativos.
O Mínimo sobre Catequese no Lar – Rafael e Aline Brodbeck
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
Humildade e Caridade
Canto III
Mas vós que estais aqui dita logrando
Não sentis de outro céu desejo ardente
Por ver mais alto mais amor gozando?"
Sorriu-se a sombra e as outras docemente;
E disse da alegria radiante,
O seu primeiro amor como quem sente:
"Rege o nosso querer, em paz constante,
A caridade, irmão: só desejamos
O que ora temos e não mais avante.
Anelando ir mais alto do que estamos,
Seríamos rebeldes à vontade,
A que aprouve esta estância, que habitamos.
Pois nos cumpre existir na caridade,
Surgir não pode em nós tal pensamento,
Dessa virtude oposto à santidade.
Condição de eternal contentamento
É preceito cumprir do Onipotente:
Um só com ele é logo o nosso intento.
Do reino em cada plaga refulgente
Somos, do reino todo muito ao grado
E do Rei, que à sua lei nos molda a mente.
Seu preceito a paz nossa se há tomado:
Ele é mar a que tudo precipita,
Que cria, ou faz natura ao seu mandado".
Conheço então que o Paraíso habita
Quem 'stá do céu em qualquer parte, e vejo
Não chover de um só modo a suma dita.
Mas, se um manjar sacia, dado o ensejo,
E de outro resta o apetite vivo,
Um se agradece, expondo-se o desejo.
Dante Alighieri – Paraíso
Mas vós que estais aqui dita logrando
Não sentis de outro céu desejo ardente
Por ver mais alto mais amor gozando?"
Sorriu-se a sombra e as outras docemente;
E disse da alegria radiante,
O seu primeiro amor como quem sente:
"Rege o nosso querer, em paz constante,
A caridade, irmão: só desejamos
O que ora temos e não mais avante.
Anelando ir mais alto do que estamos,
Seríamos rebeldes à vontade,
A que aprouve esta estância, que habitamos.
Pois nos cumpre existir na caridade,
Surgir não pode em nós tal pensamento,
Dessa virtude oposto à santidade.
Condição de eternal contentamento
É preceito cumprir do Onipotente:
Um só com ele é logo o nosso intento.
Do reino em cada plaga refulgente
Somos, do reino todo muito ao grado
E do Rei, que à sua lei nos molda a mente.
Seu preceito a paz nossa se há tomado:
Ele é mar a que tudo precipita,
Que cria, ou faz natura ao seu mandado".
Conheço então que o Paraíso habita
Quem 'stá do céu em qualquer parte, e vejo
Não chover de um só modo a suma dita.
Mas, se um manjar sacia, dado o ensejo,
E de outro resta o apetite vivo,
Um se agradece, expondo-se o desejo.
Dante Alighieri – Paraíso
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
Pai e Céu
Canto XI
"Vós, que nos céus estais, ó Padre nosso,
Não circunscrito, mas porque haveis dado
Mais aos primeiros seres o amor vosso,
Vosso nome e poder seja louvado!
Graças à criatura jubilosa
Ao saber vosso renda sublimado!
Do reino vosso a paz venha ditosa!
Que vão de havê-la o empenho nos seria,
Se não vier da vossa mão piedosa.
Como a vós a vontade se humilia
Dos vossos anjos, entoando hosana,
Façam assim os homens cada dia!
A substância nos dai quotidiana
Hoje: sem ela em áspero deserto
Se atrasa quem por ir além se afana!
E como a quem nos faz mal descoberto
Damos perdão, nos perdoai clemente,
Indi'nos sendo nós, Senhor, por certo.
Oh! não deixeis cair a defidente
Virtude nossa em tentação do imigo!
Livrai-nos dele, em nos pungir ardente!
Não mais somos, Senhor, nesse perigo,
Em que precisa esta oração nos seja;
Mas não os que hão mister na terra abrigo."
Dante Alighieri – Purgatório
"Vós, que nos céus estais, ó Padre nosso,
Não circunscrito, mas porque haveis dado
Mais aos primeiros seres o amor vosso,
Vosso nome e poder seja louvado!
Graças à criatura jubilosa
Ao saber vosso renda sublimado!
Do reino vosso a paz venha ditosa!
Que vão de havê-la o empenho nos seria,
Se não vier da vossa mão piedosa.
Como a vós a vontade se humilia
Dos vossos anjos, entoando hosana,
Façam assim os homens cada dia!
A substância nos dai quotidiana
Hoje: sem ela em áspero deserto
Se atrasa quem por ir além se afana!
E como a quem nos faz mal descoberto
Damos perdão, nos perdoai clemente,
Indi'nos sendo nós, Senhor, por certo.
Oh! não deixeis cair a defidente
Virtude nossa em tentação do imigo!
Livrai-nos dele, em nos pungir ardente!
Não mais somos, Senhor, nesse perigo,
Em que precisa esta oração nos seja;
Mas não os que hão mister na terra abrigo."
Dante Alighieri – Purgatório
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Hesitação e Fortaleza
Canto V
"Por que tanto, ó meu filho, assim te enleias?",
Disse o Mestre. "Por que deténs o passo?
Acaso o murmurar daqui receias?
Segue-me: a vozes vās ouvido escasso!
Qual torre, inabalável sê, dos ventos
À fúria opondo válido embaraço;
Quem firmeza não tem nos pensamentos,
Do fim se aparta, a que alma se endereça
E, assim, malogra, instável, seus intentos."
Dante Alighieri – Purgatório
Disse o Mestre. "Por que deténs o passo?
Acaso o murmurar daqui receias?
Segue-me: a vozes vās ouvido escasso!
Qual torre, inabalável sê, dos ventos
À fúria opondo válido embaraço;
Quem firmeza não tem nos pensamentos,
Do fim se aparta, a que alma se endereça
E, assim, malogra, instável, seus intentos."
Dante Alighieri – Purgatório
Assinar:
Postagens (Atom)