O pastor e o mar
O pastor, ao pastorear seu rebanhozinho num local litorâneo, vendo o mar calmo teve desejo de navegar para fazer comércio. Depois então de vender suas ovelhas e comprar tâmaras, zarpou. Mas, ao sobrevir uma forte tempestade, e com a nau correndo o risco de afundar, jogou toda a carga ao mar e a custo se safou com a nau vazia. Depois de não poucos dias, passando por ali um sujeito que se espantava com a tranquilidade do mar (pois este por acaso estava calmo), o outro, tomando a palavra, lhe disse: "Meu bom amigo, ao que parece ele tem de novo desejo de tâmaras, e por isso se mostra sossegado".
A história mostra que para os seres humanos os sofrimentos são ensinamentos.¹
¹ Há um jogo no original, porque os termos "sofrimentos" (pathémata) e "'ensinamentos" (mathémata) diferenciam-se só pela letra inicial. A ideia de que "a experiência ensina" era popular entre os gregos e aparece em outra máxima famosa, páthei máthos, "pelo sofrimento o ensinamento, presente na tragédia Agamêmnon de Ésquilo (século V a.C.).
Fábulas - Esopo
