sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Tentação e Devoção

Capitulo 5
Consolação para uma alma que se acha tentada


Filoteia, Deus só permite estas tentações violentas a almas que Ele quer elevar a uma grande perfeição de seu amor; mas não há para elas uma certeza que, tendo passado por estas provas, adquiram afinal esta perfeição, porque tem acontecido muitas vezes que alguns, não correspondendo em seguida fielmente à graça que os tinha feito combater com constância, sucumbiram tristemente a tentações muito mais leves.

Quero dizer-te, a fim de que, se te achares algum dia em provas tão penosas, te consoles com o desígnio que Deus tem em vista e, portanto, humilde em sua presença, nunca te creias em segurança 
contra as pequenas tentações, depois de ter superado muito maiores, para que sejas sempre fiel à sua graça e, se te sobrevier alguma tentação e sentires algum prazer nela, não te perturbes absolutamente enquanto a tua vontade recusar o seu consentimento a uma coisa e outra, porque de modo algum ofendeste a Deus.

Quando um homem cai sem sentidos e não dá nenhum sinal de vida, põe-se-lhe a mão sobre o coração e, se algum movimento se sente, por mais insignificante que seja, conclui-se daí que ainda está vivo e que se pode com algum remédio forte e eficaz restituir-lhe as forças.

Julguemos também assim da alma na violência das tentações que parecem às vezes consumir todas as suas forças. Examinemos se o coração e a vontade têm ainda algum movimento de vida espiritual, isto é, se a vontade recusa o seu consentimento à tentação e ao deleite; porque, enquanto notamos este movimento em nossa vontade, podemos estar certos de que a vida da caridade não está extinta e que Jesus Cristo, embora oculto, está presente em nossa alma; de modo que, pelo exercício contínuo da oração e recepção dos sacramentos e pela confiança em Deus, podemos recuperar todas as forças perdidas e viver para sempre em Deus, numa vida doce e perfeita.


Filoteia - São Francisco de Sales

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Confissão e Devoção

Capítulo 6

Antes de tudo é necessário que a alma se purifique dos pecados mortais


Libertar-se do pecado deve ser o primeiro cuidado de quem quer purificar o coração e o meio de fazê-lo se depara no Sacramento da Penitência. Procura o confessor mais digno que possas achar; toma um desses livrinhos próprios para ajudar a consciência no exame que se deve efetuar sobre a vida passada, como os de Granada, Bruno, Árias, Auger; lê-os com atenção, notando, ponto por ponto, tudo em que ofendeste a Deus desde o uso da razão e, se não confias em tua memória, assenta por escrito o que notaste. Depois do exame, detesta e abomina os pecados cometidos, pela contrição mais viva e perfeita que podes suscitar em ti, considerando estes motivos valiosíssimos: que pelo pecado perdeste a graça de Deus, abandonaste os teus direitos sobre o céu, mereceste as penas eternas do inferno e renunciaste a todo o amor de Deus.

Já vês, Filoteia, que te estou falando da confissão geral de toda a vida; mas digo francamente, ao mesmo tempo, que não a julgo sempre de uma necessidade absoluta; contudo, considerando a sua utilidade e proveito para o começo, aconselho-ta encarecidamente. 
Acontece não raras vezes que as confissões ordinárias de pessoas que levam uma vida negligente e comum são defeituosas e malfeitas; não se preparam nada ou quase nada; não têm a contrição devida; confessam-se com uma vontade secreta de continuar a pecar, ou porque não querem evitar as ocasiões do pecado ou porque não querem envidar todos os meios necessários para a emendação da vida; e nesses casos uma confissão geral torna-se necessária para assegurar a salvação. Além disso, a confissão geral nos dá um conhecimento mais perfeito de nós mesmos; nos enche duma salutar confusão em vista de nossos pecados; livra o espirito de muitas inquietações; tranquiliza a consciência, excita-nos a bons propósitos; faz-nos admirar a misericórdia de Deus, que nos tem esperado com tanta paciência e longanimidade; abre o fundo de nossa alma aos olhos do nosso pai espiritual, de sorte que este nos possa dar avisos mais salutares; facilita-nos a confessar futuramente os pecados com mais confiança.

Tratando-se, pois, Filoteia, de uma renovação completa de tua vida e de uma conversão perfeita de tua alma a Deus, não é sem razão, a meu ver, que te aconselho fazeres uma confissão geral.


Filoteia - São Francisco de Sales

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Exercício: descrições com plano de composição (biblioteca)

 Descrição de coisas sem movimento

8) Descreva uma biblioteca, desenvolvendo o seguinte plano:
a. A sala: forma, luz, aspecto, comunicações, paredes, estatuetas, tapetes
b. A mobília: escrivaninha, poltronas estofadas de couro, sofá, divã
c. A livraria: as estantes, os livros


Flor do Lácio: Explicação de textos e guia de composição literária - Cleófano Lopes de Oliveira


8.a. A sala
A biblioteca é composta apenas por um cômodo comprido, parecendo um corredor. Do ponto de vista de quem entra, após transpassar a porta dispõem-se as prateleiras em toda a parede de ambos os lados, e uma grande janela ao fundo. Acima, lâmpadas de tubo fluorescentes iluminam bem o cômodo durante a noite. Acima da janela há uma prateleira com alguns bustos dos três pensadores gregos. Acima deles há um crucifixo engastado em ouro. No chão, um raso tapete estende-se por todo o cômodo, com um padrão de listras que faz parecer ainda mais longa a sala.

8.b. A mobília
Próximo à janela, de costas para esta, está a escrivaninha com uma cadeira, o local apropriado de estudos. É uma mesa limpa com apenas alguns utensílios para anotações e um suporte de leitura.

8.c. A livraria
As estantes preenchem os dois lados da sala, por toda a parede do chão ao teto. Contém subdivisões para categorização e uma certa profundidade, o que permite mais de um livro por prateleira.
Os livros são das seguintes categorias: clássicos, antiguidade, gramática, literatura de romance (inglês, francês, alemão, português, brasileiro), espirituais, instrutivos, e literatura infantil.

Imagem gerada por Gemini

Imagem gerada por ChatGPT






terça-feira, 12 de agosto de 2025

Exercício: descrições com plano de composição (sala de jantar)

Descrição de coisas sem movimento

7) Descreva uma sala de jantar, de acordo com o seguinte plano:
a. A sala: forma, luz, aspecto, comunicações, paredes, quadros, tapetes ou congóleum
b. A mobília: mesa, poltronas, cadeiras, cristaleiras, aparador etc.


Flor do Lácio: Explicação de textos e guia de composição literária - Cleófano Lopes de Oliveira


7.a. A sala:

É uma sala retangular, bem iluminada pelo janelão em uma das laterais maiores. Os outros três lados têm portas que vão para outros cômodos, sendo um a cozinha. Tem um aspecto clássico, limpo e adornado. As paredes são brancas com frisos ou detalhes próximo às bordas do teto, paredes e janela. Os marcos das portas, da janela e os móveis são todos de madeira escura. Há um grande tapete retangular - um mosaico branco-bege-marrom-preto - que preenche o espaço da mesa e cadeiras. O piso é de tábuas de madeiras escuras, iguais aos marcos.


7.b. A mobília:

A mesa é retangular e preenche a maior parte do centro da sala. Está essencialmente nua em sua base com pequenos suplats para os pratos, totalizando ao todo 10 lugares, dois nas pontas e quatro em cada lado. As cadeiras são também de madeira escura, assim como a mesa, porém tem estofado de forro bege. No lado oposto ao janelão, nas paredes entre as portas, a da esquerda tem um aparador com alguns enfeites em cima e um quadro da família na parede, enquanto a da direita tem uma cristaleira alta, com a parte superior de vidro que permite ver toda a louça de cristal. Não há outros móveis além desses.

Imagem gerada por Gemini