segunda-feira, 10 de junho de 2019

Causa e Sociedade

Os resultados respectivos em cada um desses casos¹ estão embutidos nas condições precedentes: a criança doutrinada no coletivismo é levada a adquirir uma forma de sociopatologia de desenvolvimento que reprime seu anseio inato por autonomia e assim lhe nega um aspecto fundamental de sua natureza humana. O processo de doutrinação determina sua preferência por um governo central que controle a dinâmica da sociedade e que condicione a pessoa a viver com ele. Ela não conhecerá outras possibilidades. Em vez de desejar a soberania pessoal ela será treinada para rejeitá-la. Se lhe for permitido aprender sobre auto-determinação e responsabilidade pessoal como conceitos teóricos, ela concluirá que o ideal de se viver por tais valores é algo fictício ou ilegítimo, e até mesmo imoral tanto para si mesma como para os outros. Ela concordará que tais manifestações de individualismo devem ser reprimidas pela lei, caso necessário. A cooperação voluntária será permitida em domínios muito limitados, mas não será um princípio organizador que coordena a ação humana.

Em contraste, a criança cujos anseios naturais por liberdade são nutridos pelos pais e por tradições que idealizem a auto-determinação e a cooperação escolherá viver numa sociedade onde a liberdade individual e a liberdade de se relacionar por escolha sejam garantias constitucionais, e onde o uso da coerção para qualquer propósito que não seja a proteção de tais liberdades seja considerado um mal. Uma criança criada sob essas circunstâncias descobrirá que ambos os aspectos de sua natureza bipolar² são validados pelas regras de convivência de sua sociedade. Ela aprenderá eventualmente sobre a coerção sob o coletivismo e ficará consternada com isso. Ela verá a supressão da liberdade individual como algo profundamente imoral.

Sociedades que não são nem fortemente coletivistas nem idealmente livres oferecem um “cardápio” misto ao adolescente no período em que ele imagina como poderia criar uma boa vida para si mesmo. A sociedade plural oferece alguns domínios de liberdade individual, responsabilidade e cooperação, mas seriamente limitados por políticas coletivistas reforçadas por governos autoritários. Entende-se, comumente que as democracias ocidentais contemporâneas estão em algum lugar entre o coletivismo e o individualismo. Mas também é aparente que sua posição modal não está nem mesmo próxima do ponto intermediário entre esses pólos. Em vez disso, essas sociedades, seja na Europa continental ou nas Américas, são fortemente socialistas em seu caráter e o têm sido por muitas décadas.

A Mente Esquerdista - Dr. Lyle H. Rossiter
¹ Dois casos descritos anteriormente. Um é uma “ditadura socialista rigorosa que doutrina o cidadão desde seus primeiros anos de vida numa convicção de que o coletivismo é o único modo de vida”. O outro é um caso onde “as disposições naturais da criança à liberdade individual e ao relacionamento voluntário são nutridas durante o curso de seu crescimento para a idade adulta, numa sociedade cujas tradições morais abrangem esses ideais”.

² Natureza bipolar: “um ser humano é fonte autônoma de ação, por um lado, mas completamente envolvido em relações com outros através de processos econômicos, sociais e políticos, por outro lado. Sua habilidade em agir de forma independente emerge inevitavelmente de sua habilidade em perceber o ambiente à sua volta e reagir mediante escolhas. Seu parentesco com outros emerge com igual inevitabilidade de seu desenvolvimento como animal inerentemente social.”.


Publicado no Facebook em 21 de Julho, 2016

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