A filosofia não necessita nem de proteção, nem de atenção, nem de simpatia da massa. Cuida de seu aspecto de perfeita inutilidade e, com isso, liberta-se de toda submissão ao homem médio. Tem consciência de seu livre destino de Pássaro do Bom Deus, sem pedir a ninguém que se lembre dela, nem recomendar-se, nem defender-se. Se alguém, voluntariamente, aproveita-a para algo, ela se regozija por simples simpatia humana; mas não vive desse proveito alheio, nem o premedita, nem o espera. Como vai pretender que alguém a leve a sério, se ela começa por duvidar de sua própria existência, se vive na medida em que combate a si mesma, em que se desvele a si mesma?
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Para que a filosofia impere, não é necessário que os filósofos imperem - como Platão quis primeiro -, nem mesmo que os imperadores filosofem - como quis, mais modestamente, depois. Ambas as coisas, a rigor, são funestas. Para que a filosofia impere, basta que ela exista; quer dizer, que os filósofos sejam filósofos. Desde quase um século¹, os filósofos são tudo menos isso - são políticos, são pedagogos, são literatos ou são homens de ciência.
A Rebelião das Massas - José Ortega y Gasset
¹ 1930
Publicado no Facebook em 4 de Outubro, 2016
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