Das afeições desordenadas
1. Todas as vezes que o homem deseja alguma coisa desordenadamente, passa logo a sentir-se inquieto.
O soberbo e o avarento nunca têm descanso; o pobre e o humilde de espírito vivem em muita paz.
Quem ainda não se mortificou perfeitamente caba sendo bem depressa tentado e vencido em coisas pequenas e insignificantes.
O fraco de espírito, ainda um tanto carnal e inclinado às coisas sensíveis, dificilmente pode desapegar-se de todos os desejos da Terra; e por isto sente-se muitas vezes triste quando deles se priva e com facilidade se irrita se alguém o contraria.
2. Mas se alcança o que desejava, logo o oprime o remorso de consciência por haver seguido sua paixão que não lhe traz a paz que buscava.
É, com efeito, resistindo e não obedecendo às paixões que se encontra a verdadeira paz de coração.
Pois, não terá Paz o homem carnal nem o dissipado, mas o fervoroso e espiritual.
Tomás de Kempis – A Imitação de Cristo
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