quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Ação e Contexto

IX

Em meio a todos esses atos ilícitos de maldade, violência e tantas iniquidades, estão também os pecados cometidos pelos homens que estão, de modo geral, progredindo em direção ao bem. Quando são julgados corretamente, perante a regra da perfeição, seus pecados são detectados. Mas devem ser elogiados por causa dos frutos que virão a dar, como a primeira folha verde de uma plantação de milho. Algumas obras assemelham-se a atos ilícitos de maldade ou violência, mas não são pecados, pois não ofendem a Ti, nosso Senhor Deus, nem a sociedade humana. Quando, por exemplo, são feitas reservas proporcionais para tempos difíceis, não podemos julgar que são feitas meramente pelo desejo de acumular. Ou, ainda, quando se pune para fins de correção, pela autoridade da constituição, não podemos julgar que se o faz meramente pelo desejo de ferir. Muitas ações reprovadas pelos homens são aprovadas pelo Teu testemunho; muitas ações elogiadas pelos homens são condenadas por Ti, pois as ações sem si, a mente daquele que as pratica e o nível de exigência variam largamente. No entanto, quando Tu, de repente, ordenas algo inusitado e impensado, sim, embora Tu o tenhas antes proibido e não justifiques o motivo pelo qual agora o ordena, ainda que seja contra o que se julga correto em meio aos homens, quem questionará se deve ser feito, considerando que a sociedade humana é apenas serva Tua? Bem-aventurados são aqueles que sabem que Tu é s a autoridade! Pois todas as coisas feitas pelos servos Teus revelam tanto algo necessário para o presente quanto aquilo que está por vir.


Confissões – Santo Agostinho

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