Canto XI
"Vós, que nos céus estais, ó Padre nosso,
Não circunscrito, mas porque haveis dado
Mais aos primeiros seres o amor vosso,
Vosso nome e poder seja louvado!
Graças à criatura jubilosa
Ao saber vosso renda sublimado!
Do reino vosso a paz venha ditosa!
Que vão de havê-la o empenho nos seria,
Se não vier da vossa mão piedosa.
Como a vós a vontade se humilia
Dos vossos anjos, entoando hosana,
Façam assim os homens cada dia!
A substância nos dai quotidiana
Hoje: sem ela em áspero deserto
Se atrasa quem por ir além se afana!
E como a quem nos faz mal descoberto
Damos perdão, nos perdoai clemente,
Indi'nos sendo nós, Senhor, por certo.
Oh! não deixeis cair a defidente
Virtude nossa em tentação do imigo!
Livrai-nos dele, em nos pungir ardente!
Não mais somos, Senhor, nesse perigo,
Em que precisa esta oração nos seja;
Mas não os que hão mister na terra abrigo."
Dante Alighieri – Purgatório
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