— O primeiro homem que me passou pela cabeça - replicou o Padre Brown. - Isto na medida em que tinha eu o direito de pensar em quem fosse. Meu amigo, não há tipos ou ofícios sociais bons ou maus. Qualquer homem pode ser um assassino como o pobre-diabo do John; qualquer homem, e aliás o mesmo homem, pode ser um santo como o pobre Michael. Mas se há um tipo de homem que tende aqui e ali a ser mais ímpio do que os outros, é esta espécie um tanto brutal do homem de negócios. Não tem qualquer ideal social, quem dirá religião; não tem nem as tradições do cavalheiro, nem a lealdade de classe do sindicalista. Sempre que se vangloria por ter conseguido uma boa barganha, está se vangloriando por ter malogrado alguém. Suas chacotas as tentativas de espiritualidade da sua irmã eram detestáveis. O misticismo da senhora era uma besteira; ele odiava o seu espiritualismo apenas porque calhava de ser espiritualidade. Seja como for, não resta dúvida de que ele é o vilão deste caso; o único interesse que resta é ter sido um caso originalíssimo de vilania. Fora realmente um motivo novo e único para um assassinato. Era o motivo de usar o defunto como um aparato teatral - algo como uma boneca ou manequim odioso. No início, pensara num plano para matar Michael no carro, apenas para levá-lo para casa e fingir tê-lo matado no jardim. Contudo, toda sorte de toques finais os mais fantásticos seguiram-se naturalmente ao fato primário; que tinha ele à mão, de madrugada e num carro fechado, o cadáver de um ladrão famoso e reconhecível. Podia deixar suas digitais e pegadas; podia apertar-lhe a cara familiar contra janelas e levá-la embora. Repare como Moonshine ostensivamente apareceu e sumiu enquanto Bankes estava ostensivamente fora da sala, em busca do colar de esmeraldas.
O Segredo do Padre Brown - Gilbert Keith Chesterton
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