quinta-feira, 5 de junho de 2025

Produtividade e Ansiedade

SOCIEDADE DA ANSIEDADE

Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, defende, no livro Sociedade do Cansaço, que a sociedade em que vivemos, a sociedade pós-moderna, está excessivamente centrada no desempenho e na produtividade, o que gera grande cansaço e esgotamento e colabora com o aumento dos problemas psíquicos.

As pessoas acabam por se tornar vítimas de si mesmas através de uma dinâmica tóxica de autocobrança e dependência do "sucesso".

Seguindo um raciocínio parecido no estudo intitulado "Como superar la ansiedade", Enrique Rojas traz o conceito de "sociedade da ansiedade". Na descrição que faz do fenômeno, ele elenca aspectos da nossa cultura, como o materialismo, o 
hedonismo, a permissividade, relativismo e o consumismo, como fatores que "vão marcando a rota da ansiedade". O mais interessante é que Rojas "não escreve como filósofo, historiador o antropólogo, e muito menos como moralista, mas como psiquiatra experimental, a partir dos casos concretos trazidos ao seu consultório".
Tal constatação não deve causar surpresa, pois como já mencionamos, a ansiedade excessiva e o sentimentos a ela relacionados possuem raízes no medo de sofrer, e toda nossa cultura parece especialmente engajada em evitar o sofrimento a todo custo. Como pais ou educadores, temos medo de ver as crianças sofrerem; como adultos, somos constantemente bombardeados por todo tipo de alarmismo, o que nos faz desenvolver temores e reforça os que já temos. Adquirimos gradualmente a sensação de que não há mais causas nobres por que lutar, não sabemos para onde ir e qual o verdadeiro sentido da vida. Cria-se terreno fértil para a ansiedade!
Assim, desenvolvemos aversão a todo o tipo de sofrimento, o que nos impede de conviver com ele em paz e até com certa alegria.


O Mínimo sobre Ansiedade - Araceli Alcântara

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