sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Amor e Morte

Qual olmo, a cujo tronco corpolento
A videira tenaz se abraça e liga,
Que, se o prostra o machado ou forte vento,
Leva tambem comsigo a planta amiga,
Com seu pezo esfolhando-lhe o ornamento,
Pizando as doces uvas, e o obriga
A dôr da socia que na morte o segue
Mais á dôr, do que a sorte que o persegue.

Assim cae elle, só chorando o fado
Da companheira, a quem os céos o uniram.
Tentam fallar, mas é querer baldado;
Em logar de fallar ambos suspiram;
Olham-se, e, qual os tinha acostumado
Amor, unem-se emquanto não expiram;
Foge d'ambos a um tempo a luz do dia,
E vôam para a patria, da alegria.


A Jerusalem Libertada - Torquato Tasso
Tradução de José Ramos Coelho

(Solimão mata Eduardo e Gildipe / Solymon kills Odoardo and Gildippe)

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