Visualize a vida como estando em uma planície cercada de montes. Pode ser que atrás desses montes, na névoa hajam montes maiores, mas donde estamos escolhemos o mais alto e vamos até lá. Quando chegamos, na altura, pode ser que enxerguemos outros mais altos que antes não conseguíamos enxergar. Assim é a vida: acreditamos estar indo para o mais alto, mas quando chegamos percebemos que era só um degrau. Podemos, dessa forma, edificar uma torre com os materiais de construção do bom, do belo e do verdadeiro. Assim teremos uma visão melhor na altitude para enxergar o monte mais alto a que dirigiremos nossa vida.
Tive esta reflexão ao ponderar sobre o problema matemático do máximo/mínimo local e global, que normalmente é representado por essa visão de montes: o mais alto perto do ponto de referência é o máximo local, e o máximo global é o mais alto absolutamente, considerando todas as possibilidades ao infinito.
Mas esta visão matemática foi apenas a base da reflexão. A faísca veio quando, ao olhar para a bagagem de aprendizado, vemos que aquela montanha de conhecimento e habilidades que foi tão árdua de adquirir, hoje está incorporada e me faz preparado para escalar o próximo monte.
Se por um lado, isso é positivo e animador, por outro faz-me pensar que alguns montes que apenas ouvi falar são na minha imaginação mais baixos do que o são na realidade. Portanto, é a falsa sensação de dominar um tema apenas por conseguir imaginar sua altura, porém quando em face ao verdadeiro tema - depois de escalar os pequenos montes necessários para chegar lá - vejo que é bem maior do que inicialmente imaginava.
Isto remonta à questão do imaginário: às vezes, a gente não tem nem as ferramentas, as imagens, o aparato mental necessário para imaginar a coisa. E por isso não temos noção do real tamanho.
Há uma piada boba, mas ilustrativa: Havia um homem do campo, muito simples, que vivia com sua vaca, sua pequena plantação, suas coisas. Um dia um homem muito rico apareceu em sua porta e ofereceu para dar a ele tudo que quisesse. Ele respondeu que queria mais uma vaca. O homem rico então disse: "Você pode pedir muito mais! O que você conseguir imaginar, eu darei!". O camponês respondeu: "Então eu quero duas vacas!".
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