A ATENÇÃO VOLUNTÁRIA
Sem pretender enumerar os diversos motivos artificialmente acionados para despertar e consolidar a atenção voluntária, isto é, novamente, para dar ao objetivo a ser atingido uma força de ação que ele não possui naturalmente, destaco na formação da atenção voluntária três etapas cronológicas.
Na primeira, o educador só age sobre sentimentos simples: faz uso do medo sob todas as suas formas, das tendências egoístas, do atrativo das recompensas, das emoções afetuosas e simpáticas, da curiosidade inata que equivale ao apetite da inteligência e que pode ser encontrada em todos em algum grau, por mais fraco que seja.
Na segunda etapa, a atenção artificial é suscitada e mantida por sentimentos de formação secundária: amor-próprio, emulação, ambição, interesse no sentido prático, de ver, etc.
A terceira etapa é de organização: a atenção é suscitada e mantida pelo hábito. O estudante na sala de estudos, o operário na usina, o funcionário no escritório, o comerciante atrás do balcão prefeririam em geral estar em outro lugar; mas o amor-próprio, a ambição, o interesse criaram por repetição um treinamento duradouro. A atenção adquirida tornou-se uma segunda natureza; a obra da arte se consumou. O simples fato de estar posicionado em determinada atitude, em determinado meio, leva ao resto; a atenção se cria e se mantém menos pelas causas presentes do que por causas anteriores acumuladas; os motivos habituais assumiram a força dos motivos naturais. Aqueles que são refratários à educação e à disciplina não atingem nunca essa terceira etapa; neles, a atenção voluntária se produz raramente, de forma intermitente, e não tem como tornar-se um hábito.
Psicologia da Atenção - Théodule Ribot
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