Uma criança se recusa a aprender a ler; é incapaz de fixar o espírito em letras que não representam nenhum atrativo para ela; mas contempla avidamente as imagens de um livro. "O que representam estas imagens?". O pai responde: "Quando você souber ler, o livro lhe ensinará". Depois de várias conversas parecidas, a criança se conforma, entregando-se de início sem muito entusiasmo à tarefa, depois se habitua, e finalmente demonstra um ardor que precisa ser moderado. Eis um caso de gênese da atenção voluntária. Foi preciso enxertar, em um desejo natural e direto, um desejo artificial e indireto. A leitura é uma operação que não possui atrativo imediato, mas tem um atrativo como meio, um atrativo de empréstimo; é o suficiente: a criança foi presa pela engrenagem, o primeiro passo foi dado. Tomo emprestado outro exemplo ao Sr. B. Perez:
Uma criança de seis anos, habitualmente muito distraída, sentou-se espontaneamente ao piano para ensaiar uma melodia que agradava à sua mãe; seus exercícios duraram mais de uma hora. A mesma criança, com sete anos, ao ver seu irmão ocupado com os deveres de férias, foi sentar-se no escritório do pai. "O que está fazendo?", perguntou-lhe a empregada, admirada de encontrá-la aí. "Estou fazendo uma página de alemão", disse a criança. Não é muito divertido, mas é uma boa surpresa que quero fazer para mamãe"¹
Outro caso de gênese de atenção voluntária, agora enxertada em um sentimento simpático, e não em um sentimento egoísta, como no primeiro exemplo. O piano ou alemão não despertam espontaneamente a atenção; eles a suscitam e a mantêm por uma força de empréstimo.
Por toda parte, na origem da atenção voluntária, encontra-se este mecanismo sempre igual, com inúmeras variações, e que resulta em sucesso, semi-sucesso ou fracasso: tomar motivações naturais, desviá-las de seu objetivo direto e empregá-las (se possível) como meios para outro objetivo. A arte dobra a natureza aos seus desígnios, e é por este motivo que chamo esta forma de atenção de "artificial".
¹ B, Perez, L'enfant de trois à sept ans [A criança de três a sete anos], p. 108.
Psicologia da Atenção - Théodule Ribot
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