sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Leitura e Compreensão

A fonte do saber não está nos livros; está na realidade e no pensamento. Os livros são placas de sinalização; a estrada é mais antiga, e ninguém pode fazer por nós a viagem para a verdade. O que um escritor disse não é o mais importante; o que nos interessa é aquilo que é, e nosso espírito deve se propor não a repetir, mas a compreender, ou seja, a aprender com ele, ou seja, a absorver vitalmente, e finalmente a pensar por si mesmo. A afirmação que escutamos deve, seguindo o autor, talvez graças a ele, mas afinal independentemente dele, obrigar a alma a reafirmá-la para si mesma. Temos que recriar toda a ciência para nosso próprio uso.

O principal benefício da leitura, aliás, pelo menos das grandes obras, não é adquirir verdades esparsas, mas o aumento da nossa sabedoria. Amiel, comparando o espírito francês com o espírito alemão, dizia: “Os alemães colocam a lenha na fogueira; os franceses entram com a chama”. O juízo é talvez um pouco categórico, mas não há dúvida de que o que mais importa é a chama.



A Vida Intelectual – A. D. Sertillanges

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