Parou – ondeou o braço magro, como a correia dum látego, num gesto que açoitava o Rossio, a Cidade, toda a Nação. Sabia o amigo Gonçalinho o segredo desta borracheira sinistra? É que, dos Portugueses, os piores desprezavam a Pátria – e os melhores ignoravam a Pátria. O remédio? ... Revelar Portugal, vulgarizar Portugal. Sim, amiguinho! Organizar, com estrondo, o reclamo de Portugal, de modo que todos o conheçam – ao menos como se conhece o Xarope Peitoral de James, hem? E que todos o adotem – ao menos como se adotou o sabão do Congo, hem? E conhecido, adotado, que todos o amem enfim, nos seus heróis, nos seus feitos, mesmo nos seus defeitos, em todos os seus padrões, e até nas veras pedrinhas das suas calçadas! Para esse fim, o maior empreender neste apagado século da nossa História, fundava ele os Anais. Para berrar! Para atroar Portugal, aos bramidos sobre os telhados, com a notícia inesperada da sua grandeza! E aos descendentes dos que outrora fizeram o Reino incumbia, mais que aos outros, o cuidado piedoso de o refazer... Como? Reatando a tradição, caramba!
A Ilustre Casa de Ramires – Eça de Queirós
Nenhum comentário:
Postar um comentário