Em suma, se a meditação desperta na alma poderosas emoções, ela não pode capitalizá-las sob a forma de hábitos. Ora, a educação da vontade é impossível sem a criação de excelentes e sólidos hábitos; sem eles nossos esforços teriam que sempre recomeçar. Somente eles permitem fixar nossas conquistas e prosseguir adiante. Ora, esses hábitos, agora o sabemos, somente a ação pode criar.
Para agir, é preciso realizar corajosamente cada uma das pequenas ações que concorrem para alcançar uma finalidade. A ação fixa o pensamento, engaja-nos publicamente num partido, produz uma profunda alegria.
Infelizmente, o tempo da atividade, já tão curto, é ainda diminuído pela falta de método odo estudante em seu trabalho; apesar disso, como já dissemos, “basta pouco para cada dia se a cada dia realizamos esse pouco”. A paciência dos esforços incessantemente renovados produz resultados prodigiosos: é, portanto, o hábito da atividade incessante que o estudante deve adquirir. Para tanto, ele deve fixar toda a noite a tarefa do dia seguinte, aproveitar de todos seus bons movimentos, terminar todo trabalho começado, fazer uma só coisa de cada vez e não desperdiçar nenhuma parcela de seu tempo. Tais hábitos lhe permitirão esperar os mais altos destinos e lhe darão as condições para pagar à sociedade a dívida de reconhecimento que os benefícios que dela recebeu obrigam-no a reconhecer.
O trabalho assim compreendido não pode jamais ser uma sobrecarga: a fadiga que se atribui ao trabalho provém de fato, quase sempre, dos excessos da sensualidade, das inquietudes, das emoções egoístas, de um mau método; o trabalho bem compreendido, o hábito dos pensamentos nobres e elevados, só fazem fortificar a saúde, se é verdade que uma condição fisiológica excelente é feita de calma, tranqüilidade, felicidade.
A Educação da Vontade – Jules Payot
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