Se o sentido existe imbricado na própria estrutura do Universo, e se a informação pressupõe mente volitiva, então a resposta para “por que existe algo ao invés de coisa nenhuma?” pode muito bem ser “porque existe uma mente criadora que é a origem da informação no Universo, já que informação não pode surgir de interações e processos caóticos”. Se o sentido existe, é razoável supor que Deus exista. Note que, para os propósitos deste livro, eu não disse que Deus existe, disse que é razoável acreditar em Deus. A existência de Deus não pode ser provada a não ser individualmente, no coração e na mente de cada um, por meio da fé – que, assim como gosto estético, pertence a uma área epistemológica sobre a qual a ciência não pode dizer nada. Mas acreditar em Deus é razoável, sempre foi razoável, sempre será razoável, e o Cristianismo em seus aspectos intelectuais sempre foi assunto para gigantes, como Pascal, que não era exatamente o idiota do vilarejo e durante muito tempo se debateu justamente com o fato de que sim, é razoável acreditar em Deus – mas não é o bastante.
A ciência e a filosofia levaram Pascal, por assim dizer, ao batente de Deus, à posição intelectual em que o indivíduo percebe que é perfeitamente possível que esse negócio de Deus seja verdade mesmo. Mas apenas a ciência e a lógica não são suficientes para que atravessemos o batente e entremos na morada de Deus. O passo final é um salto na direção do desconhecido, é um ato de fé, que, assim como o amor, não é irracional, e sim a-racional, encontrando-se fora dos domínios que podem ser esquadrinhados pela razão.
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