Esse aspecto subjetivo, que é a obrigação de se ter sempre a plateia em mente, é a explicação também de outro aspecto da retórica: o embelezamento e a ordenação do discurso.
Algumas mentes de índole fortemente dialética torcem o nariz para esse aspecto, pois pensam que a verdade e a objetividade de uma afirmação são o que importa, e que qualquer adorno discursivo servirá apenas para desviar a atenção do foco. Tais pessoas, é força dizer, dificilmente vencerão uma eleição ou um concurso que requeira apresentação de qualidades amáveis e urbanas; ou, pelo contrário, dificilmente conseguirão mover um exército de pessoas a bater-se contra um inimigo que esteja prestes a destruir sua civilização.
É um fato que o homem não é razão calculante apenas; mas, também, e muitas vezes principalmente, desejo e paixão. Ignorar estas dimensões, e viver no aguardo da era em que a humanidade vá finalmente estar livre delas, é tentativa de fuga da realidade. Devemos admitir, assim, que o homem é vir desiderorum e que ama o belo e o prazenteiro – bem como sente repulsa pelo feio e pelo doloroso. Por isso, no âmbito do discurso retórico, a beleza e a organização serão inevitavelmente parta da ordem do dia.
Trivium e Quadrivium – A Doutrina das 7 Artes Liberais - Coleção de Artes Liberais Volume 1 – Instituto Hugo de São Vitor
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