– Rezar por Maduro? Eu não quero, eu não consigo. Não sou tão bom assim.
– Não te iguales pelo ódio, não é este o caminho. Acredito que saibas disso.
– É mais fácil falar do que fazer, padre, o senhor deve saber disso. Tiraram tudo de mim. Chávez e Maduro destruíram a minha vida, mataram o meu irmão, destruíram a minha família. Não temos mais nada. Tive que abandonar a minha mãe sozinha naquele inferno. Olha onde eu estou. Olha onde eu vim parar. Perdi tudo, me tornei um indigente. Que futuro eu tenho pela frente? Sou um homem de quase cinquenta anos. E durmo ao relento, vivo de esmola, durmo numa rede, caminhei dezenas de quilómetros, meu pé ainda está cheio de calos, olha só – ergui o tênis, continuei – E tudo por causa Maduro. Dele e dos outros. Quero o Maduro numa forca! Faço questão de assistir. Quero o filho da puta, me desculpe, padre, quero ele sofrendo uma grande humilhação, corroendo-se de raiva, impotente. Quero ele exposto dentro de uma jaula, como um bicho do zoológico, um macaco de circo, todo mundo zombando dele, cuspindo, escarnecendo, rindo. O Fujimori fez isso o homem do Sendero Luminoso. Foi muito bem feito, até foi pouco, foi merecido. O que eu quero é que o Maduro morra feito um cão, feito um porco, humilhado, como Mussolini, como Ceausescu, como Khadafi. É isso que ele merece: a forca, um tiro na nuca, o pelotão de fuzilamento, pauladas no meio da rua. Ele e todos aqueles outros comunistas que estão ao lado dele. Todos eles, todos, malditos sejam!
– É mais fácil falar do que fazer, padre, o senhor deve saber disso. Tiraram tudo de mim. Chávez e Maduro destruíram a minha vida, mataram o meu irmão, destruíram a minha família. Não temos mais nada. Tive que abandonar a minha mãe sozinha naquele inferno. Olha onde eu estou. Olha onde eu vim parar. Perdi tudo, me tornei um indigente. Que futuro eu tenho pela frente? Sou um homem de quase cinquenta anos. E durmo ao relento, vivo de esmola, durmo numa rede, caminhei dezenas de quilómetros, meu pé ainda está cheio de calos, olha só – ergui o tênis, continuei – E tudo por causa Maduro. Dele e dos outros. Quero o Maduro numa forca! Faço questão de assistir. Quero o filho da puta, me desculpe, padre, quero ele sofrendo uma grande humilhação, corroendo-se de raiva, impotente. Quero ele exposto dentro de uma jaula, como um bicho do zoológico, um macaco de circo, todo mundo zombando dele, cuspindo, escarnecendo, rindo. O Fujimori fez isso o homem do Sendero Luminoso. Foi muito bem feito, até foi pouco, foi merecido. O que eu quero é que o Maduro morra feito um cão, feito um porco, humilhado, como Mussolini, como Ceausescu, como Khadafi. É isso que ele merece: a forca, um tiro na nuca, o pelotão de fuzilamento, pauladas no meio da rua. Ele e todos aqueles outros comunistas que estão ao lado dele. Todos eles, todos, malditos sejam!
Quando terminei de falar já estava agitado e febril. O padre permanecia impassível, fitando-me com o mesmo olhar paciente. Falou-me com uma calma extraordinária:
– Deus muitas vezes permite que cheguemos ao abismo do inferno – fez uma pausa, como se avaliasse a minha reação. E prosseguiu:
– Ele nos deixa ver e sentir o sofrimento e o desespero da condenação eterna. Ele faz isso por bondade, por amor – cada vez que se referia a Deus seus olhos se moviam para cima – Mas tu não estás condenado ao inferno. Podes te afastar deste lugar. Ainda há tempo. Este lugar de ódio e sofrimento, este lugar em que não existe mais alegria e onde morreu toda a esperança, não precisa ser a sua morada permanente. Os padecimentos dos tempos presentes não guardam proporção com a alegria da vida futura.
Se Houvesse um Homem Justo na Cidade – Diogo Fontana
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