ESPIÃO
[...]
Falou o vate. Ergueu sereno o escudo todo 590
em bronze. Não havia efígie no seu bojo,
pois desejava ser, não parecer, o áristos,
primaz, lavrando em sua mente o sulco fundo
do qual germinam decisões percucientes.
Louvo se lhe remeta um oponente sábio 595
e reto: assombra quem venera o nume eterno.
ETÉOCLES
Ai! Agrura do mau agouro, que associa
o justo ao homem ímpio! o que se faça,
a companhia má é o que há de mais nefasto,
um fruto a refugar. Se alguém sem jaça embarca 600
com nautas sôfregos de ação soez, perece
com a chusma divinorrejeitada, ou,
embora justo, se anda junto com pessoas
hostis aos hóspedes, imêmores dos deuses, 605
acabará fisgado numa mesma rede
com o injusto, e o látego comum dos numes
o domará, ferido. Assim o adivinho,
refiro-me a Anfiarau, um homem reto e bom, 610
equilibrado e virtuoso, inigualável
profeta, se meteu – contrário a si mesmo –
com gente sem pudor de verve truculenta,
numa missão cujo retorno distancia-se.
Zeus decidiu: será arrastado com os outros. 615
Sou da opinião de que não se imporá nas portas,
não por ser vil ou por trazer a alma tíbia,
mas por saber que está fadado a perecer
na guerra, se viger o oráculo de Lóxias.
Sete Contra Tebas - Ésquilo
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