segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Memória e Imaginário

No sistema de ensino que temos, a contemplação é praticamente esterilizada pela obrigação de dar atenção não ao que nos encantou, mas por obrigação. O decorar, assim, significa apenas guardar uma informação para atender outra finalidade, como ir bem em uma prova, passar de ano etc. Não espanta, consequentemente, que aquilo que se decorou logo se esqueça uma vez conquistado o objetivo, isso quando não acaba sendo desprezado. Quantas pessoas você conhece, por exemplo, que têm má vontade para com a literatura porque foram obrigados a ler na escola? Talvez você seja uma delas. Eu era. E tanto fazia se o livro fosse bom ou ruim, ninguém ama quando é obrigado a tanto, pelo contrário.

A consequência disso é mais nefasta do que parece. Dissociada da instrução e formação, essa experiência amorosa deixa de ser cultivada com esse propósito, prestando-se apenas como entretenimento, ao lazer das horas de descanso e ócio, tornando a vivência da cultura em geral - seja alta ou baixa, atual ou antiga - mero diletantismo, mais um hobby do que outra coisa.

O resultado é a inanidade geral dos imaginários pessoais das últimas gerações, transparente, por exemplo, nos inúmeros memes nostálgicos das redes sociais sobre as infâncias e adolescências das últimas décadas, especialmente dos anos 1980 em diante. Que revelam do que mais se guardou no coração? Brinquedos da época, programas de televisão encerrados, hits radiofônicos descartáveis, modas passageiras etc. Apenas coisas a marcarem certos momentos ou períodos da vida, formando memórias afetivas, não por valerem grande coisa em si. Daí ao fenômeno da adolescência esticada, aliás, no vai nenhuma distância.

Ver palestra a respeito do tema no II Congresso de Artes Liberais:
https://youtu.be/tmEwFCx2Zco?si=vjmvsew9rlMr4M6


A formação do imaginário através da educação da imaginação - Francisco Escorsim
A Formação do Imaginário

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