Veja, senhor, que nesta era iluminada eu sou ousado o suficiente para confessar que somos, em geral, homens de sentimentos rústicos, que, em vez de jogar fora todos os nossos velhos preconceitos, nós os valorizamos num grau bastante considerável, e, para aumentar nossa vergonha, nós os valorizamos porque são preconceitos; e quanto mais tempo eles duraram e mais geralmente têm prevalecidos, mais os estimamos. Estamos receosos de colocar homens para viver e negociar cada um pelo seu próprio estoque privado da razão, porque nós suspeitamos que este estoque em cada homem é pequeno, e que os indivíduos fariam melhor em se valer do banco e do capital gerais das nações e das eras. Muitos de nossos pensadores, ao invés de destruir preconceitos gerais, empregam sua sagacidade para descobrir a sabedoria latente que prevalece neles. Se encontram o que estavam buscando, tarefa em que raramente falham, eles consideram mais sábio manter o preconceito, juntamente com a razão envolvida, do que jogar fora a veste de preconceito e deixar apenas a razão nua; porque o preconceito, com a sua razão, tem um motivo para dar ação a essa razão, e uma afeição que lhe dará permanência. O preconceito é de aplicação imediata em situação de emergência; ele antecipadamente conduz a mente em um curso constante de sabedoria e virtude, e não deixa que o homem hesite no momento da decisão por ceticismo, confusão e indecisão. O preconceito torna a virtude de um homem em seu hábito, e não em uma série de atos desconexos. Através de um preconceito justo, o seu dever se torna parte de sua natureza.
Reflexões sobre a Revolução na França – Edmund Burke
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