segunda-feira, 20 de julho de 2020

Tradição e Revolução

A sabedoria não é o censor mais severo da loucura; são as loucuras rivais que mutuamente travam uma guerra implacável, e que fazem um uso tão cruel de suas vantagens, pois envolvem o vulgar imoderado em um dos lados em suas disputas. A prudência seria neutra, mas se, na disputa entre o apego apaixonado e a feroz antipatia no tocante às coisas cuja natureza não comporta tamanho entusiasmo, um homem prudente for obrigado a escolher os erros e excessos de entusiasmo que ele iria condenar ou suportar, talvez ele considere a superstição que constrói mais tolerável do que aquela que destrói; a que adorna um país, do que aquela que o deforma; a que dá, do que aquela que saqueia; a que dispõe de benefícios equivocados, do que aquele que estimula verdadeiras injustiças; a que leva um homem a renunciar a prazeres lícitos, do que aquela que arranca dos outros a escassa subsistência de sua abnegação. É praticamente esse, creio eu, o estado da questão entre os antigos fundadores da superstição monástica e a superstição dos pretensos filósofos do momento.


Reflexões sobre a Revolução na França – Edmund Burke

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