quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Reflexão #7

Não é verossímil que tudo sempre aconteça de maneira verossímil

Esta é uma frase que me guia sempre que leio um romance, especialmente um clássico, ou quando escuto uma história, mito, conto, fábula ou até mesmo um causo. Mesmo no fato mais corriqueiro, há a possibilidade do real e factível estar velado por um evento improvável, absurdo ou fantástico.

----

É visível que há aí uma escala de credibilidade crescente: do possível subimos ao verossímil, deste para o provável e finalmente para o certo ou verdadeiro.

[...]

Ao ouvinte do discurso poético cabe afrouxar sua exigência de verossimilhança, admitindo que "não é verossímil que tudo sempre aconteça de maneira verossímil", para captar a verdade universal que pode estar sugerida mesmo por uma narrativa aparentemente inverossímil. Aristóteles, em suma, antecipa a suspension of disbelief de que falaria mais tarde Samuel Taylor Coleridge. Admitindo um critério de verossimilhança mais flexível, o leitor (ou espectador) admite que as desventuras do herói trágico poderiam ter acontecido a ele mesmo ou a qualquer outro homem, ou seja, são possibilidades humanas permanentes.

Fonte: http://old.olavodecarvalho.org/livros/4discursos.htm

Mais informações em:
Aristóteles em Nova Perspectiva. Introdução à Teoria dos Quatro Discursos - Olavo de Carvalho

Nenhum comentário:

Postar um comentário