Estas páginas contêm lições sobre educação; é um livro de pedagogia. O nível do discurso que adoto aqui é retórico. Não se trata de uma pesquisa, pois carece das inúmeras referências citadas à exaustão que tornam um texto enfadonho e quase ilegível. Não é um tratado filosófico, pois carece do rigor da argumentação lógica. Por outro lado, também não é um texto poético, pois não lido com o que poderia ser ou ter sido, mas antes com o que deveria ser a partir daquilo que é ou foi; este texto é, como eu disse, retórico. Se é um texto retórico, precisa cumprir com os fins da Arte Retórica. Estas lições precisam ensinar (ou persuadir), mover (hoje em dia, é uma pena, dizemos “motivar”) e deleitar. Este último é o mais difícil dos fins, entretanto, porei todo o esforço em cumpri-lo.
A Retórica é uma arte importante para o ofício de um pedagogo. Outro motivo
pelo qual adoto um discurso retórico está no título: lições. A Retórica é uma arte quase morta que só tem interessado alguns poucos críticos literários e um número menor ainda de pesquisadores da
publicidade e da propaganda. Ela está morta como estão mortos o
Latim e o Grego Antigo. Assim como estas duas línguas, a Retórica está pronta, é imutável e, por isso, imortal. Outra
coisa é que o nível retórico de discurso é o que mais serve ao estilo
epistolar destas páginas. Quando
Alexandre, o Grande, toma o poder sobre toda população de cultura grega, e as decisões políticas passam a ser centralizadas, a
Arte Retórica, que por séculos vinha sendo ensinada e aprimorada,
perde muito de sua aplicabilidade pública passando a servir não mais a políticos e juristas, mas a qualquer
pessoa desejosa de persuadir, mover e deleitar outrem.
Trivium
e Quadrivium – A
Doutrina das 7 Artes Liberais - Coleção de Artes Liberais Volume 1 – Instituto Hugo de São Vitor
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