terça-feira, 13 de setembro de 2022

Clemência e Culpa


SENHORA CAPULETO
É um parente de Montecchio; a afeição arrasta-o à mentira; ele não diz a verdade: foram vinte os conjurados para este sinistro combate! Foram precisos vinte para matar um! Peço justiça! Deveis concedê-la, oh! Príncipe; Romeu matou Teobaldo, não deve permitir-se que Romeu viva!...

PRÍNCIPE
Romeu matou-o, mas ele tinha morto Mercucio. Quem me deverá pagar o valor do seu sangue precioso?

MONTECCHIO
Não deve ser Romeu, príncipe, porque ele era amigo de Mercucio. O seu crime foi simplesmente ter executado o que a lei havia de decidir – a morte de Teobaldo.

PRÍNCIPE
E por essa ofensa exilamo-lo imediatamente da cidade; eu mesmo sou vítima dos vossos ódios; o meu sangue corre por causa dessas ferozes disputas; mas eu vos condenarei a uma tal pena que vos haveis de arrepender todos da perda que eu sofro; ficarei surdo a discursos, a desculpas, a lágrimas, a súplicas; nada disto resgatará as violações da lei; portanto, não empregueis nenhum desses meios; que Romeu parta imediatamente, porquanto se for encontrado, essa hora será a última da sua vida. Levai daqui este corpo. A nossa vontade deve ser executada. A clemência para com assassinos é assassina também. (Saem).


Romeu e Julieta – William Shakespeare

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