Nos outros dias, em que é lícito trabalhar, ninguém fique ocioso; cada um deve, segundo suas forças e conhecimentos, aplicar-se àquele trabalho que lhe tiver sido imposto, e não que ele próprio escolheu. Quanto de beleza o repouso dá aos dias de guarda, tanto de ornamento o esforço do trabalho confere aos dias restantes. Desta forma, todo aquele que não quis repousar nos dias de guarda seja juiz de sua vaidade, e aquele que não foi esforçado nos dias de trabalho seja testemunha de sua preguiça. Assim se dá com as mentes carnais: nos dias de descanso a vaidade as incita a não descansar, e nos dias de trabalho a preguiça as impede de trabalhar bem.
Por isso, para agir bem deve haver um cuidadoso discernimento dos tempos, para que, assim como as obras más em tempo algum são louváveis, as boas obras não sejam dignas de repreensão por não terem sido praticadas o tempo oportuno.
A Instrução dos Principiantes - Hugo de São Vítor
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