A evolução contemporânea dos conceitos legais e da moralidade social democrática está orientada para desmantelar as tradições antigas de manutenção da ordem e da lei por meio da repressão punitiva. Muitos países abandonaram a pena capital, incomodados com os abusos genocidas durante a última guerra mundial. Outras punições e os métodos de sua execução também têm sido mitigados, levando em consideração as motivações psicológicas e as circunstâncias do crime. A consciência das nações civilizadas protesta contra o princípio do direito romano - Dura lex, sed lex¹ - e ao mesmo tempo os psicólogos compreendem a possibilidade de que muitas pessoas atualmente desequilibradas possam reverter sua situação para uma vida social normal, graças a medidas pedagógicas apropriadas. Contudo, a prática só confirma essa possibilidade parcialmente.
A razão é que a mitigação da lei não foi balanceada com os métodos correspondentes de repressão dos processos da gênese do mal, com base em sua compreensão. Isso provoca uma crise na área de proteção da sociedade contra o crime e torna mais fácil para que os círculos de patocratas utilizem o terrorismo a fim de atingir os seus objetivos expansionistas. Sob tais condições, muitas pessoas sentem que o retorno à tradição de maior rigor legal é o único meio de proteger a sociedade de um excesso do mal. Outros acreditam que esse comportamento tradicional nos enfraquece moralmente e abre a porta para abusos irrevogáveis. Eles então subordinam a vida e a saúde dos outros aos valores humanistas.
A fim de sair dessa crise, nós devemos iniciar todos os nossos esforços na busca por uma nova via, que ao mesmo tempo seria mais humanitária, mas também protegeria efetivamente as sociedades e os indivíduos indefesos. Tal possibilidade existe e pode ser implementada com base na compreensão objetiva da gênese do mal.
Ponerologia: Psicopatas no Poder - Andrew Lobaczewski
¹ Latim: a lei é dura, porém é a lei
Publicado no Facebook em 19 de Outubro, 2016
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