terça-feira, 13 de agosto de 2019

Prudência e Consequência

A prudência exige precisamente o tipo de consciência do passado e do futuro que nossos provincianos do tempo, ansiosos para reduzir tudo à experiência sensorial imediata, procuram destruir. A prudência demanda o exercício da razão e da imaginação exatamente porque abarca o que não está presente. Para que eu colha agora a recompensa do meu esforço ou da minha preguiça passadas; para que aquilo que faço hoje tenha um efeito em um futuro ainda potencial - essas coisas requerem um exercício mental. A ideia de que o Estado é de algum modo responsável pela pobreza dos idosos não é tão diferente do pressuposto de que o Estado é de algum modo responsável pela criminalidade dos criminosos. Não negarei que as desarticulações do capitalismo têm algo que ver com a primeira dessas realidades, mas trata-se de outra discussão. O importante aqui é compreender que não pode ser saudável uma sociedade que diz aos seus membros para não pensarem no futuro porque o Estado se encarregará de assegurar seu futuro. A habilidade de cultivar a prudência - algo que eu chamaria literalmente de presciência - é uma oportunidade para desenvolver a excelência pessoal. Não conheço melhor incentivo ao trabalho diligente do que a certeza de que os que depositam em sua tarefa o fervor do crente reservarão para o futuro compensações que não poderão ser apropriadas pelos imprudentes. Quando prevalece a certeza contrária; quando as maiorias populares são capazes de passar por cima dos direitos adquiridos pelo esforço passado - sob o pretexto de uma necessidade atual -, a tendência é que todos se tornem políticos. Em outras palavras, eles chegam à conclusão de que a manipulação traz mais recompensas do que a produção. Essa é a essência da corrupção.


As Ideias Têm Consequências - Richard M. Weaver


Publicado no Facebook em 17 de Janeiro, 2018

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