Parece-me que a maior fraqueza no ambientalismo radical tem sido seu fracasso em explorar a questão da motivação humana. Há uma razão preponderante para a degradação do meio ambiente: o desejo humano. Nas regiões mais ricas do mundo as pessoas são muitas, preocupam-se bastante com a mobilidade e são ávidas por satisfazer cada um de seus desejos, são muito indiferentes a respeito do estrago causado por elas e estão demasiadamente preparadas – segundo o jargão econômico – para exteriorizar seus gastos. A maioria de nossos problemas ambientais são casos particulares desse problema geral. E o problema pode ser descrito de modo mais simples como o triunfo do desejo sobre a moderação. Ele só poderá ser resolvido quando a moderação prevalecer sobre o desejo; em outras palavras, somente quando as pessoas tiverem reaprendido o hábito do sacrifício. As pessoas se sacrificam pelo quê? Pelas coisas que amam. E quando esses sacrifícios beneficiam o nascituro? Quando são feitos pelos mortos. Foi esse sentimento fundamental que Burke e De Maistre invocaram.
Há na esquerda uma tendência a escolher os grandes agentes do mercado como principais culpados: imputam o crime ambiental àqueles (petroleiras, fabricantes de motores, empresas de desmatamento, agronegócios, supermercados) que lucram com a exportação de suas despesas para as gerações futuras. Mas isso significa confundir o efeito com a causa. Num mercado livre, essas modalidades de geração de dinheiro surgem, por meio de uma mão invisível, com base em escolhas feitas por todos nós. A demanda por carros, petróleo, comida barata e luxos dispensáveis é a verdadeira causa das indústrias que fornecem essas coisas. Naturalmente, é verdade que os grandes agentes exteriorizam seus gastos sempre que podem. Mas nós também o fazemos. Sempre que viajamos de avião ou vamos ao supermercado, consumimos combustíveis fósseis, exportamos nossos custos para as gerações futuras. Uma economia livre é aquela guiada pela demanda individual. A solução adequada não é a socialista (isto é, a abolição da economia livre), já que isso apenas coloca o grande poder econômico nas mãos de burocratas irresponsáveis, que igualmente estão no negócio de exportação de seus custos. A solução é a retificação das nossas demandas, de modo que nós mesmos possamos arcar com os custos delas. Em suma, precisamos mudar nossa vida. E só poderemos muda-la se tivermos uma motivação para fazê-lo – uma motivação suficientemente forte para reprimir nossos desejos.
Uma Filosofia Política: Argumentos para o Conservadorismo - Roger Scruton
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